Este é um blog para meus amigos em especial e para todos aqueles que veem nas palavras possibilidades de voos, de ultrapassar fronteiras. Sinuosidade de palavras que criam vida e saem por aí... espreitando, buscando, se esgueirando pelo limite do imaginário... E imaginário tem limite?...
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
Felicidade Clandestina
Ah, quem me dera,
num dia assim,
onde pouco resta de mim,
ver chegar
essa tal "felicidade clandestina"
que tanto busco,
e espero,
e desejo...
e nunca mais sair de mim...
e me ter
e enraizada ficar...
em mim!
ah quem me dera
“felicidade clandestina”
fosse um nome,
um anseio,
uma pessoa
e na forma de letras
chegasse até mim
e me descobrisse,
me revelasse
e por mim se apaixonasse...
então “felicidade clandestina”
ia deixar de ser
e seria então “Destino”
...
o meu e o teu entrelaçados..
Náiade.
Novo mundo...Tortuga
Perdoe-se,
Entenda-se,
Encontre-se!
Volte!
Retome
o caminho,
...
Retome
o caminho,
...
Vês!
É diferente,
é tão diferente
que soa estranho...
Mas é este
teu novo
caminho
Não vês?
Sal,
Pedra,
Areia;
Não és mais rio
É diferente,
é tão diferente
que soa estranho...
Mas é este
teu novo
caminho
Não vês?
Sal,
Pedra,
Areia;
Não és mais rio
Agora és Mar!
Náiade
Daniel, o livro é o barco...
Cada
rota
traçada
é
um
capítulo
escrito,
se
mergulho
nele, o livro
sinto
o gosto
do sal
na boca
o cheiro
do mar
na pele;
se
estou
de frente
a ele, o mar
eu o leio:
suas ondas
suas cores
Circunavegação
de ideias
de cheiros e sabores
O mar,
é como o livro
eu navego...
eu me deixo ir
eu me entrego
não penso!
traçada
é
um
capítulo
escrito,
se
mergulho
nele, o livro
sinto
o gosto
do sal
na boca
o cheiro
do mar
na pele;
se
estou
de frente
a ele, o mar
eu o leio:
suas ondas
suas cores
Circunavegação
de ideias
de cheiros e sabores
O mar,
eu navego...
eu me deixo ir
eu me entrego
não penso!
Velejar... ou Seguir.
Eu Velejava Em Você
Maria Bethânia
Eu velejava em você
Não finja!
Como coisa que não me vê
E foge de mim...
A boca tremia,
Os olhos ardiam
Oh! Doce agonia
Oh! Dor de viver
De ver sua imagem
Que eu nunca via
Sua boca molhada
Seu olhar assanhado
Convite pra se perder
Minha alma cansada
Não faz cerimônia
Você pode entrar sem bater
Pois eu já velejei em você
E foi bom de doer
Mas foi, como sempre, um sonho
Tão longe, risonho
Sinto falta,
Queria lhe ver...
Eu também queria te ver... Tenho a impressão
que a partir daqui
surge uma linha de convergência,
um laço,
de afeto, claro!
A natureza das coisas
A natureza das coisas
Como são as coisas
As coisas que trago no peito
me extravasam a alma...
As coisas
que me entristecem
mais parecem punhais
sempre cravados
um pouco mais!
Estas coisas às vezes sangram
O que faço
com estas coisas?
Podem as coisas
ter nome?
As coisas podem ser chamadas desejos?
Os que trago no peito
escondidos
reprimidos
mais parecem sonhos
que de tão fugazes
acho que devem permanecer
no lugar onde estão...
Eu desejei uma coisa
Aí outra coisa sobrepôs-se ao lugar
E a coisa perdeu o sentido...
Pode a coisa desejada perder o sentido
de coisa querida, almejada e sonhada?
As coisas
no momento
me entristecem
quem sou eu?
Coisa, desejo ou pessoa?
De dentro de mim
este poema respinga
Olha pra mim e sorri...
O que posso fazer?
Sorrir de volta!
Leia-me!
é imperativo.
Exigência?
Desejo?
Suposição?
Salve-me,
Encontre-me,
Devolva-me,
ou
Não tente me encontrar
Não me procure,
Desista!
Não vai saber quem
eu sou
nem eu me reconheço...
Como encontrar o que não sabe?
Devolver o que? a quem?
Coisa, desejo ou pessoa?
Você vê?
O que?
Como são as coisas sem ser vistas?
As coisas
que me entristecem
mais parecem punhais
sempre cravados
um pouco mais!
Estas coisas às vezes sangram
O que faço
com estas coisas?
Podem as coisas
ter nome?
As coisas podem ser chamadas desejos?
Os que trago no peito
escondidos
reprimidos
mais parecem sonhos
que de tão fugazes
acho que devem permanecer
no lugar onde estão...
Eu desejei uma coisa
Aí outra coisa sobrepôs-se ao lugar
E a coisa perdeu o sentido...
Pode a coisa desejada perder o sentido
de coisa querida, almejada e sonhada?
As coisas
no momento
me entristecem
quem sou eu?
Coisa, desejo ou pessoa?
De dentro de mim
este poema respinga
Olha pra mim e sorri...
O que posso fazer?
Sorrir de volta!
Leia-me!
é imperativo.
Exigência?
Desejo?
Suposição?
Salve-me,
Encontre-me,
Devolva-me,
ou
Não tente me encontrar
Não me procure,
Desista!
Não vai saber quem
eu sou
nem eu me reconheço...
Como encontrar o que não sabe?
Devolver o que? a quem?
Coisa, desejo ou pessoa?
Você vê?
O que?
Como são as coisas sem ser vistas?
Dragões... Criaturas do Fogo.
Força e honra!
Numa terra distante onde reis disputam tronos,
onde espreita a traição, a inveja
onde corvos levam mensagens de
guerra e paz
onde a espada representa
tanto a glória como o desespero...
onde a espada representa
tanto a glória como o desespero...
O que é honra?
Amor?
Quanto vale viver?
Tenho vivido com a honra
De cumprir minha palavra
Com a verdade ao mencionar a palavra afeto
Ahhh o afeto
Tão simples e fácil
Palavra leve
Que pode ser encontrada de múltiplas formas
E tenho consumido
Como algo vital
Se te olho
Eu não apenas “olho”
Eu olho... miro bem no alvo
E lanço a flecha certeira...
Se te aperto a mão
É com afeto – suave, onde o calor está nas minhas veias
Intensidade é a palavra,
A ponte
Que diz de mim
Sou
...
Khaleesi
Especiarias
Conhecer os lugares
sentir o cheiro
o gosto
e o sabor dos temperos;
e no colorido sutil de sua cores
apreciar
provar;
ir além e descobrir um lugar
e morar nele!
sentir o cheiro
o gosto
e o sabor dos temperos;
e no colorido sutil de sua cores
apreciar
provar;
ir além e descobrir um lugar
e morar nele!
Assim são as pessoas,
Especiarias!
Especiarias!
Namorados
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
-Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
-Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:-A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
-Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
-Antônia, você é engraçada!
Metades: In-Completude
Quando minha Tia Irene se foi,
levou com ela metade de mim:
meio sorriso,
meio olhar,
meia mão,
meio pensamento,
fique triste,
lamentei,
chorei,
desmoronei.
( )
Agora eu já sei:
Ficou comigo metade dela:
meio sorriso,
meio olhar,
meia mão,
meio pensamento,
Não sou mai triste,
Agora eu fiquei inteira novamente.
Poema da brincadeira
Cecília, vamos brincar de ficar séria?
(Cecília e eu cara a cara...)
dois segundos depois...
Cecília sorrir...
que graça!
que leveza!
que alegria!
são flores do Japão...
(os olhos dela),
e eu,
fico torcendo pra ela rir logo...
he he Eu
Poema Território
Do terraço até a cozinha
-eis o território dele,
o reizinho mandão...
( brinquedos espalhados delimitam o terreno)
bi bit,
carro de fórmula 1,
bolas, balde de praia,
tartaruga,
(...)
Anda,
corre,
deita no chão;
ri,
fala,
manda! (...)
mas também é carinhoso,
divertido,
inteligentíssimo;
me chama de mãe... e ri...
abaixa a cabeça,
pede um cheiro a vó e vai brincar,
tudo de novo...
Esse é João Vítor.
he he Eu.
Minha Japinha...
Que alegria!
que graça,
que leveza
são flores do Japão...
(os olhos dela),
Cecília.
Para Miguel Lorenzo...
Eu conheço esse olhar...
que faz a gente ficar vidrado, olhando, olhando,
e a gente fica mesmo admirado
com tanta beleza dessa pessoinha
que é NOSSA!
esse olhar é uma das coisas mais belas
que a gente descobre,
e é pra sempre,
porque faço isso todos os dias,
com João e Cecília
sobrinhos-filhos Simone Moura
e você vai descobrir,
tantas coisas maravilhosas
que problemas viram: "Quais?"
já me esqueci...
Parabéns pelo lindo filho.
O não-lugar...
Re-inventei palavras
escapei do não-lugar,
ele existe;
e existem sim as coisas sem serem vistas!
(...)
Voltei...
da dificílima
dangerosíssima
viagem
que
Drummond falou,
agora sou eu de novo:
renovada,
na sutil beleza das flores coloridas
Nihon Flowers.
VERBO SER
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender.
Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
Drummond
Investigação Poética
Quando um poeta se vai
o espaço do céu
ele passa
a habitar
(...)
e nós
aqui na terra
continuamos
(...)
e na dúvida
da poesia
olhamos
pro céu
(...)
o mesmo céu
de Drummond
de Bandeira
de meu avô
céu de Irene!
(...)
Tia Irene: - Abra a porta do céu,
que o poeta César Leal chegou!
(Sua bênção...
saudades,
com
amor,
sua sobrinha)
Primavera
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