Velejar... ou Seguir.

Eu  Velejava  Em  Você

Maria Bethânia


Eu velejava em você
Não finja!
Como coisa que não me vê
E foge de mim...
A boca tremia,
Os olhos ardiam
Oh! Doce agonia
Oh! Dor de viver
De ver sua imagem
Que eu nunca via
Sua boca molhada
Seu olhar assanhado
Convite pra se perder
Minha alma cansada
Não faz cerimônia
Você pode entrar sem bater
Pois eu já velejei em você
E foi bom de doer
Mas foi, como sempre, um sonho
Tão longe, risonho
Sinto falta,
Queria lhe ver...


Eu também queria te ver... Tenho a impressão
 que a partir daqui
 surge uma linha de convergência,
 um laço, 
de afeto, claro! 

A natureza das coisas

A natureza das coisas


Como são as coisas 
sem ser vistas?
As coisas que trago no peito
me extravasam a alma...
As coisas
que me entristecem
mais parecem punhais
sempre cravados
um pouco mais!
Estas coisas às vezes sangram
O que faço
com estas coisas?

Podem as coisas
ter nome?
As coisas podem ser chamadas desejos?
Os que trago no peito
escondidos
reprimidos
mais parecem sonhos
que de tão fugazes
acho que devem permanecer
no lugar onde estão...

Eu desejei uma coisa
Aí outra coisa sobrepôs-se ao lugar
E a coisa perdeu o sentido...
Pode a coisa desejada perder o sentido
de coisa querida, almejada e sonhada?

As coisas
no momento
me entristecem
quem sou eu?
Coisa, desejo ou pessoa?

De dentro de mim
este poema respinga
Olha pra mim e sorri...
O que posso fazer?
Sorrir de volta!

Leia-me!
é imperativo.
Exigência?
Desejo?
Suposição?
Salve-me,
Encontre-me,
Devolva-me,
ou
Não tente me encontrar
Não me procure,
Desista!
Não vai saber quem
eu sou
nem eu me reconheço...

Como encontrar o que não sabe?
Devolver o que? a quem?
Coisa, desejo ou pessoa?
Você vê?
O que?
Como são as coisas sem ser vistas?