Tudo aqui tem começo, meio e fim…
Uma árvore não fica de costas para ninguém.
Dê a volta em torno dela ,
e a árvore estará sempre de frente para você...
OS VERDADEIROS AMIGOS TAMBÉM...
Dizem os chineses:
árvore plantada com amor, nenhum vento derruba!
UMA VERDADEIRA AMIZADE, TAMBÉM!
Quem planta árvores, cria raízes.
Quem cultiva bons amigos, também!
As árvores, como os amigos,
produzem beleza para os olhos e os ouvidos,
na mudança sutil de suas cores.
Forte abraço no melhor lugar do mundo: o coração.
Este é um blog para meus amigos em especial e para todos aqueles que veem nas palavras possibilidades de voos, de ultrapassar fronteiras. Sinuosidade de palavras que criam vida e saem por aí... espreitando, buscando, se esgueirando pelo limite do imaginário... E imaginário tem limite?...
Porque o tempo de Deus é mais sábio do que o nosso...
1. Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus:
2. tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;
3. tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir;
4. tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar;
5. tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se.
6. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora;
7. tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar;
8. tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz.
9. Que proveito tira o trabalhador de sua obra?
10. Eu vi o trabalho que Deus impôs aos homens:
11. todas as coisas que Deus fez são boas, a seu tempo. Ele pôs, além disso, no seu coração a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina de um extremo a outro.
12. Assim eu concluí que nada é melhor para o homem do que alegrar-se e procurar o bem-estar durante sua vida;
13. e que comer, beber e gozar do fruto de seu trabalho é um dom de Deus.
14. Reconheci que tudo o que Deus fez subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. Deus procede desta maneira para ser temido.
15. Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou.
16. Debaixo do sol, observei ainda o seguinte: a injustiça ocupa o lugar do direito, e a iniqüidade ocupa o lugar da justiça.
17. Então eu disse comigo mesmo: Deus julgará o justo e o ímpio, porque há tempo para todas as coisas e tempo para toda a obra.
18. Eu disse comigo mesmo a respeito dos homens: Deus quer prová-los e mostrar-lhes que, quanto a eles, são semelhantes aos brutos.
19. Porque o destino dos filhos dos homens e o destino dos brutos é o mesmo: um mesmo fim os espera. A morte de um é a morte do outro. A ambos foi dado o mesmo sopro, e a vantagem do homem sobre o bruto é nula, porque tudo é vaidade.
20. Todos caminham para um mesmo lugar, todos saem do pó e para o pó voltam.
21. Quem sabe se o sopro de vida dos filhos dos homens se eleva para o alto, e o sopro de vida dos brutos desce para a terra?
22. E verifiquei que nada há de melhor para o homem do que alegrar-se com o fruto de seus trabalhos. Esta é a parte que lhe toca. Pois, quem lhe dará a conhecer o que acontecerá com o volver dos anos.?
2. tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;
3. tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir;
4. tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar;
5. tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se.
6. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora;
7. tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar;
8. tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz.
9. Que proveito tira o trabalhador de sua obra?
10. Eu vi o trabalho que Deus impôs aos homens:
11. todas as coisas que Deus fez são boas, a seu tempo. Ele pôs, além disso, no seu coração a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina de um extremo a outro.
12. Assim eu concluí que nada é melhor para o homem do que alegrar-se e procurar o bem-estar durante sua vida;
13. e que comer, beber e gozar do fruto de seu trabalho é um dom de Deus.
14. Reconheci que tudo o que Deus fez subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. Deus procede desta maneira para ser temido.
15. Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou.
16. Debaixo do sol, observei ainda o seguinte: a injustiça ocupa o lugar do direito, e a iniqüidade ocupa o lugar da justiça.
17. Então eu disse comigo mesmo: Deus julgará o justo e o ímpio, porque há tempo para todas as coisas e tempo para toda a obra.
18. Eu disse comigo mesmo a respeito dos homens: Deus quer prová-los e mostrar-lhes que, quanto a eles, são semelhantes aos brutos.
19. Porque o destino dos filhos dos homens e o destino dos brutos é o mesmo: um mesmo fim os espera. A morte de um é a morte do outro. A ambos foi dado o mesmo sopro, e a vantagem do homem sobre o bruto é nula, porque tudo é vaidade.
20. Todos caminham para um mesmo lugar, todos saem do pó e para o pó voltam.
21. Quem sabe se o sopro de vida dos filhos dos homens se eleva para o alto, e o sopro de vida dos brutos desce para a terra?
22. E verifiquei que nada há de melhor para o homem do que alegrar-se com o fruto de seus trabalhos. Esta é a parte que lhe toca. Pois, quem lhe dará a conhecer o que acontecerá com o volver dos anos.?
Navegador Amyr Klink - tem um livro que guardo na memória para comprar: Mar Sem Fim
Principais livros:
Cem Dias entre o Céu e o Mar
Paratii: Entre Dois Pólos
Mar Sem Fim
Alguns dos melhores trechos:
"Um homem precisa viajar.
Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv.
Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu.
Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto.
Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser;
que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver".
"Comemorei sentado, quieto, com a boca cheia, a minha maior conquista: PARTIR.
Ainda que minha viagem durasse apenas um único e mísero dia.
Parti para a minha mais longa travessia e mesmo que ela só durasse esse único dia,eu havia escapado do maior perigo de uma viagem da forma mais terrível de naufrágio: NÃO PARTIR"
"Transformar o medo em respeito, o respeito em confiança.
Descobri como é bom chegar, quando se tem paciência.
E para se chegar onde quer que seja,
aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão.
É preciso antes de mais nada querer."
"O que antes me assustava ou preocupava, agora fazia pensar. Pelas janelas de onde via apenas neblina e as velas cheias, fiz passar todas as imagens que desejei ver. E as toquei. Não há mais verdadeira e pura forma de sentir lugares do que tocá-los com a quilha de um barco. Ou com os dedos. A mais simples e universal maneira de expressar carinho. O toque."
"Já acordado na Antártida, ouvi ruídos que pareciam fritura. (..) Eram cristais de água doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água salgada. O efeito visual era belíssimo. Pensei em fotografar, mas falei para mim mesmo: calma, você terá muito tempo para isso! Nos 367 dias que se seguiram, o fenômeno não se repetiu. Algumas oportunidades são únicas!"
"no fundo, eu parti para voltar"
Sobre Amyr Klink:
Aos 22 anos, Amyr explorou de moto a América do Sul junto com um amigo. Nos anos seguintes, fez viagens por todo o Brasil.
É graduado em Economia pela USP e pós-graduado em Administração pela Mackenzie. Arrumou emprego em um banco, às 3 da tarde costumava dormir escondido no banheiro. Largou tudo e passou a se dedicar às viagens. Ele diz: "Eu não conseguia gostar daquilo: uma instituição que eu não conhecia, na qual não enxergava uma alma, nem uma missão, só o lucro... Aquilo me sacudiu mais do que qualquer tempestade com ondas"
Aos 29, em 84, com um barco a remo que ele mesmo ajudou a projetar, foi remando sozinho da África até Salvador-BA.
A viagem é contada no livro Cem Dias entre o Céu e o Mar.
Conheceu a esposa quando ela foi entrevistá-lo sobre o feito. Ao pular para o barco dele, caiu e foi sugada por uma hélice. Amyr saltou imediatamente na água e a salvou.
Em 89, em um barco que ele também ajudou a projetar, foi sozinho para a Antártica (pólo Sul) onde permaneceu durante 1 ano. Assim que o mar à volta do seu barco descongelou, em vez de voltar, simplesmente decidiu (do nada!) ir ao Ártico (pólo Norte), para só então voltar ao Brasil.
A viagem é contada no livro Paratii: Entre Dois Pólos.
Em 98, deu a volta ao mundo pela rota mais difícil, circunavegando a Antártica e uma expedição tripulada em um outro barco que também ajudou a projetar.
A viagem é contada no livro Mar Sem Fim.
Já enfrentou uma semana de ondas de 30 metros, foi mais de 15 vezes para a Antártica e muitas vezes para vários lugares do mundo.
Também faz palestras no meio empresarial, escreve livros que figuram entre os mais vendidos e participa de projetos especiais.
O que mais gosta na Antártica é a luz, diz que tudo reflete a luz e que basta uma noite de céu estrelado para se poder caminhar tranquilamente sobre o gelo.
Acredito que essas viagens possibilitem dar mais valor as coisas e as pessoas, a se sentir bem consigo mesmo, a parar de perseguir bobagens, a refletir profundamente, a dominar o medo pela razão e a ver belezas incomparáveis. E eu valorizo muito isso.
http://www.amyrklink.com.br - Sou fascinada pelos barcos e pelo Mar...
Postado por Nícholas Fernandes Gimenes
Cem Dias entre o Céu e o Mar
Paratii: Entre Dois Pólos
Mar Sem Fim
Alguns dos melhores trechos:
"Um homem precisa viajar.
Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv.
Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu.
Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto.
Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser;
que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver".
"Comemorei sentado, quieto, com a boca cheia, a minha maior conquista: PARTIR.
Ainda que minha viagem durasse apenas um único e mísero dia.
Parti para a minha mais longa travessia e mesmo que ela só durasse esse único dia,eu havia escapado do maior perigo de uma viagem da forma mais terrível de naufrágio: NÃO PARTIR"
"Transformar o medo em respeito, o respeito em confiança.
Descobri como é bom chegar, quando se tem paciência.
E para se chegar onde quer que seja,
aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão.
É preciso antes de mais nada querer."
"O que antes me assustava ou preocupava, agora fazia pensar. Pelas janelas de onde via apenas neblina e as velas cheias, fiz passar todas as imagens que desejei ver. E as toquei. Não há mais verdadeira e pura forma de sentir lugares do que tocá-los com a quilha de um barco. Ou com os dedos. A mais simples e universal maneira de expressar carinho. O toque."
"Já acordado na Antártida, ouvi ruídos que pareciam fritura. (..) Eram cristais de água doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água salgada. O efeito visual era belíssimo. Pensei em fotografar, mas falei para mim mesmo: calma, você terá muito tempo para isso! Nos 367 dias que se seguiram, o fenômeno não se repetiu. Algumas oportunidades são únicas!"
"no fundo, eu parti para voltar"
Sobre Amyr Klink:
Aos 22 anos, Amyr explorou de moto a América do Sul junto com um amigo. Nos anos seguintes, fez viagens por todo o Brasil.
É graduado em Economia pela USP e pós-graduado em Administração pela Mackenzie. Arrumou emprego em um banco, às 3 da tarde costumava dormir escondido no banheiro. Largou tudo e passou a se dedicar às viagens. Ele diz: "Eu não conseguia gostar daquilo: uma instituição que eu não conhecia, na qual não enxergava uma alma, nem uma missão, só o lucro... Aquilo me sacudiu mais do que qualquer tempestade com ondas"
Aos 29, em 84, com um barco a remo que ele mesmo ajudou a projetar, foi remando sozinho da África até Salvador-BA.
A viagem é contada no livro Cem Dias entre o Céu e o Mar.
Conheceu a esposa quando ela foi entrevistá-lo sobre o feito. Ao pular para o barco dele, caiu e foi sugada por uma hélice. Amyr saltou imediatamente na água e a salvou.
Em 89, em um barco que ele também ajudou a projetar, foi sozinho para a Antártica (pólo Sul) onde permaneceu durante 1 ano. Assim que o mar à volta do seu barco descongelou, em vez de voltar, simplesmente decidiu (do nada!) ir ao Ártico (pólo Norte), para só então voltar ao Brasil.
A viagem é contada no livro Paratii: Entre Dois Pólos.
Em 98, deu a volta ao mundo pela rota mais difícil, circunavegando a Antártica e uma expedição tripulada em um outro barco que também ajudou a projetar.
A viagem é contada no livro Mar Sem Fim.
Já enfrentou uma semana de ondas de 30 metros, foi mais de 15 vezes para a Antártica e muitas vezes para vários lugares do mundo.
Também faz palestras no meio empresarial, escreve livros que figuram entre os mais vendidos e participa de projetos especiais.
O que mais gosta na Antártica é a luz, diz que tudo reflete a luz e que basta uma noite de céu estrelado para se poder caminhar tranquilamente sobre o gelo.
Acredito que essas viagens possibilitem dar mais valor as coisas e as pessoas, a se sentir bem consigo mesmo, a parar de perseguir bobagens, a refletir profundamente, a dominar o medo pela razão e a ver belezas incomparáveis. E eu valorizo muito isso.
http://www.amyrklink.com.br - Sou fascinada pelos barcos e pelo Mar...
Postado por Nícholas Fernandes Gimenes
Quase
QUASE
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Autora: Sarah Westphal
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Autora: Sarah Westphal
E agora, Drummond?
E agora, Drummond?
“A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, [..] [Carlos]? E agora, você ?” Começamos a procurar um Carlos nas entrelinhas dos livros e nos depoimentos das entrevistas, mas deveríamos ter suposto que encontraríamos vários!Que ótimo! O que torna nossa tentativa de entendimento das coisas e do mundo um emaranhado de possibilidades.
“E agora, [Carlos] ? E agora, você ? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama protesta, e agora,[ Carlos]?” Não é possível separar os Carlos, se cada um tem uma visão de mundo, se cada um é sem nome e se cada um zomba dos outros. Se escolhêssemos um para falar ficaríamos pensando: E os outros?E os Carlos que fazem versos, que amam e protestam? Seriam mais irreverentes, curiosos, perspicazes ou inquietos? Então, resolvemos falar de/com todos os Carlos de Drummond neste ensaio. É surpreendente e instigante existir essa possibilidade de encontrá-los no universo das poesias de todos os Josés da vida. Drummond deixa-nos “o poder de fugir do mundo” e isso é tudo e nada ao mesmo tempo! Temos infinitas possibilidades de escapar da desilusão, do fracasso, do medo, do abandono, do desamor, e até de nós mesmos – podemos ficar estáticos e indiferentes se quiséssemos, se isso fosse suficiente para se viver.
“Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar,cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio,o bonde não veio,o riso não veio,não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, [Carlos] ? Difícil não recorrer a Drummond, se ele escreveu dos diversos sentimentos de alguém que perdeu uma mulher ou um amor e de alguém que perdeu seu discurso e sua pena. Se estou amando, fico me perguntando: - “Que pode uma criatura senão, senão entre criaturas, amar?” Apenas uma simples frase basta para dizer tudo: - “Amar se aprende amando”; e, não precisamos nem ler o livro para “escapulir”, pegar no ar, como um sapo pega uma mosca no ar, essa verdade, como o sapo de Manuel Bandeira que “brada de um assomo, o sapo-tanoeiro: 'A grande arte é como Lavor de Joalheiro'. A grande arte é saber que “Não importa onde você parou...” para se levar a quietude aos corações lapidados e aflitos.
Ter a pretensão de tentar escrever sobre Drummond- tentar traduzir
em palavras seus sentimentos, supõe coragem e cuidado. O que será que poderíamos dizer a esse respeito? Esta dificílima viagem pressupõe a companhia do poeta, do eu retorcido; é com ele que as ideias vão se alinhavando, num embate de forças prazerosas, escrever sobre Drummond não é tão gratificante quanto escrever com Drummond! “E agora, [Carlos]? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro,seu terno de vidro,sua incoerência, seu ódio - e agora ?”
A viagem, para dentro dos Carlos, ou para dentro dos Josés que vivenciaram os sentimentos apontados por Carlos Drummond de Andrade é perigosa porque supõe o encontro de verdades, que a primeira vista não queremos enxergar: “Vou ficar frente a frente com aquilo que mais me dói no peito, a “Verdade dividida”. Quando a porta é arrebentada e se vê duas verdades – discute-se qual é a mais bela- é preciso optar por uma e cada um escolhe conforme seu capricho, sua miopia. Isto quando o Carlos encontra alguma porta. Esta escolha é a que o ser humano está condenado a ver e reconhecer em sua própria dor, a sua “pedra no meio do caminho”, no caminho do coração que conduz à vida. A pedra é o infortúnio, a casualidade, ou a própria pedra.
“Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. [ Carlos], e agora ?”Nas Minas imaginárias, o ser humano vai traçando os recomeços de sua trajetória. É preciso sempre “Recomeçar”, quando se tem uma chave na mão. Dar um novo sentido às alternativas encontradas diante das dificuldades é uma saída quando não se têm uma porta.Todo ser carrega dentro de si um pouco dessa linguagem drummondiana: a complacência pelo sofrimento do outro, a inquietação diante do desânimo, o amor desencontrado – representado pelo movimento da Quadrilha: João que amava Teresa, que amava fulano que não amava ninguém. São os movimentos constantes: “Não se mate” Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo”. O amor e suas estranhas razões! “As sem-razões do amor”.
“Se você gritasse,se você gemesse,se você tocasse a valsa vienense,se você dormisse,se você cansasse,se você morresse…Mas você não morre,você é duro,[Carlos]!” É a partir do grito que estudamos possibilidades de refazermos nossa vida, e “a vida é passada a limpo”. “Que é ser? Que metro serve para medir-nos?” Se a felicidade cansasse, se ela morresse, ela se tornaria o fim almejado pelos Carlos. Buscas intermináveis! Todo o tempo estamos tentando deixar algo, construir algo ou fazer algo... tudo isso, genuínas verdades drummondianas, para não ser duro e para aprender a morrer. Não dá para escapar! Estamos todos de “Mãos dadas”, querendo as mesmas coisas. “As coisas foram acontecendo ao sabor da inspiração e do acaso.” Pensar assim é descrever o movimento da vida, ela simplesmente continua; até que outro dia, nosso peito sangre de dor, de desespero de medo e de morte.
A poesia humaniza as pessoas, exercendo assim sua dimensão universal e seu destino. Ter a consciências das coisas e das pessoas implica perceber que o dia de amanhã poderá ser difícil de suportar: não há coisa mais terrível, difícil e dolorida do que perder alguém a quem amamos ou alguém que está fora de nosso alcance: o amigo que seria imprescindível naquele momento tão sofrido; a palavra que faz falta e a decisão que precisa ser tomada a sós. “Mas como dói”! E a consciência das coisas faz-nos perceber que é preciso viver a vida com dignidade e esperança, com alegria! A poesia tem essa capacidade de suavizar as dores do mundo, de ser consolo dos amores: “A gente julga o valor das coisas pelo gosto que tem”.
Descobrir a poesia de Drummond é, sendo uma formiguinha, perceber a vida com a dimensão de um elefante! Já repararam nos elefantes, aquelas orelhas enormes e aquele “sorriso” esquisito? Criaturas gigantescas, difícil de não serem percebidas, que andam em bandos e protegem a cria carinhosamente. Terrivelmente questionador e intrigante é colocar um elefante em um poema. “O elefante” que procura amigos, pessoas de verdade, que riem, para uma palavra amiga, mais que isso um olhar verdadeiro, sincero, que não se encontra em qualquer pessoa, porque elas não se mostram. Um elefante! Quando ele pensa que será notado, ele volta cansado da procura e triste porque ninguém o reparou – assim como os seres humanos que em certos momentos cansam-se da procura, e desacreditam do amor, dos amigos. Brilhante ideia a do elefante! Faz-nos pensar na grandiosidade da nossa procura. É assim mesmo, sem tirar nem por, a vida segue com seus caprichos. “Inútil você resistir ou mesmo suicidar-se.”
- “Vai, Carlos! ser gauche na vida”. Ser imperfeito, ser irreverente, questionador, revelador das angústias, ser o avesso, incomum. Nem todos viram um elefante desenhado no chapéu do Pequeno Príncipe, do francês Antoine de Saint-Exupéry, mas nem por isso o elefante não existia! E quem criou o elefante? A imaginação de um infante.
Era necessário que alguém reparasse nas “fragilidades” do ser humano e as testemunhasse. Se alguém não nos observa, impõe argumentos, revira nossos sentimentos e nos põe frente a frente com nós mesmos; iríamos caminhando na vida, como para uma direção qualquer – o lugar comum a todos seria suficiente! Estaríamos condenados a sermos repetitivos no tempo presente – repetição de ideias, sentimetos, gestos, atitudes. Não! Mil vezes a ironia, a briga com a consciência, o choro e depois “Recomeçar” de alma lavada. Alegremo-nos com nossas inquietações – elas fazem reparar o colorido da vida, faz-nos querer repor nossas ideias no lugar incomum, buscar nosso equilíbrio interior, encontrar paz.
Perguntamos se estamos falando sobre Drummond ou sobre nós mesmos, todos esses sentimentos revirados e misturados lembram nossas vidas? Mas o que Drummond faz é testemunhar a si próprio e, assim, a nós mesmos, porque compartilhamos das mesmas sensações – aquilo que nunca falaríamos pra ninguém, o que escondemos no lugar secreto de nosso eu, o que nunca repararíamos em nossa personalidade. Ele apenas testemunhou, expôs, reviveu, revirou; e, não precisamos gritar aos quatro cantos, nem sussurrar pra ninguém, a intenção é concordar com nossa cabeça, reconhecer-se nas entrelinhas e mudar a opinião, o destino, o desamor, ter novas perspectivas. Ter a chave mágica para abrir a porta e ver a verdade, não dividida, mas inteira, luminosa.
A poesia é nosso esconderijo! Precisamos reagir. Alguma coisa precisa acontecer; é para isto que as palavras se destinam: nossa salvação. Perceber a nós mesmos, com “olhos inteligentes”.
Toda a forma de comunicação, a arte, filosofia, poesia; nos convida a uma reação diante dos fatos e das coisas da vida. Só assim devemos entender que viver a vida é o mais importante. Que às vezes a vida pára mesmo, como um automóvel: “Stop! A vida parou ou foi o automóvel”? E é preciso recomeçar a viver, não ficar estático, pálido, triste ou ausente de si mesmo.
A poesia de Carlos Drummond de Andrade modificou nossa vida, fez-nos reconhecer o amor indesejado, obrigou-nos a fazer escolhas – são terrivelmente necessárias –, criou-nos uma consciência política do mundo. Então, como desvendar Drummond? Olhar para si mesmo. “Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, [Carlos] ![Carlos], pra onde?”Termos a consciência de que aquilo que mais nos dói é a nossa incapacidade de sermos humanos, a falta de sentimento, a pequenez diante da tolerância, do afeto, a falta de amor – amor pela vida e pelo sentimento humano; pelo sentimento do mundo: “Fácil é desfrutar a vida a cada dia. Difícil é dar o verdadeiro valor a ela”. A crítica se joga como um tapa na cara: “Ah, você participa com palavras?”! Mas são os Carlos que vivem “indiferentes, ruins, traiçoeiros, devassos, perigosos” ? “Você marcha, [Carlos] ![Carlos], pra onde?”
Este texto foi feito por mim, para um concurso da Fundação Assis Chateaubriand...
Eliane.
“A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, [..] [Carlos]? E agora, você ?” Começamos a procurar um Carlos nas entrelinhas dos livros e nos depoimentos das entrevistas, mas deveríamos ter suposto que encontraríamos vários!Que ótimo! O que torna nossa tentativa de entendimento das coisas e do mundo um emaranhado de possibilidades.
“E agora, [Carlos] ? E agora, você ? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama protesta, e agora,[ Carlos]?” Não é possível separar os Carlos, se cada um tem uma visão de mundo, se cada um é sem nome e se cada um zomba dos outros. Se escolhêssemos um para falar ficaríamos pensando: E os outros?E os Carlos que fazem versos, que amam e protestam? Seriam mais irreverentes, curiosos, perspicazes ou inquietos? Então, resolvemos falar de/com todos os Carlos de Drummond neste ensaio. É surpreendente e instigante existir essa possibilidade de encontrá-los no universo das poesias de todos os Josés da vida. Drummond deixa-nos “o poder de fugir do mundo” e isso é tudo e nada ao mesmo tempo! Temos infinitas possibilidades de escapar da desilusão, do fracasso, do medo, do abandono, do desamor, e até de nós mesmos – podemos ficar estáticos e indiferentes se quiséssemos, se isso fosse suficiente para se viver.
“Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar,cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio,o bonde não veio,o riso não veio,não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, [Carlos] ? Difícil não recorrer a Drummond, se ele escreveu dos diversos sentimentos de alguém que perdeu uma mulher ou um amor e de alguém que perdeu seu discurso e sua pena. Se estou amando, fico me perguntando: - “Que pode uma criatura senão, senão entre criaturas, amar?” Apenas uma simples frase basta para dizer tudo: - “Amar se aprende amando”; e, não precisamos nem ler o livro para “escapulir”, pegar no ar, como um sapo pega uma mosca no ar, essa verdade, como o sapo de Manuel Bandeira que “brada de um assomo, o sapo-tanoeiro: 'A grande arte é como Lavor de Joalheiro'. A grande arte é saber que “Não importa onde você parou...” para se levar a quietude aos corações lapidados e aflitos.
Ter a pretensão de tentar escrever sobre Drummond- tentar traduzir
em palavras seus sentimentos, supõe coragem e cuidado. O que será que poderíamos dizer a esse respeito? Esta dificílima viagem pressupõe a companhia do poeta, do eu retorcido; é com ele que as ideias vão se alinhavando, num embate de forças prazerosas, escrever sobre Drummond não é tão gratificante quanto escrever com Drummond! “E agora, [Carlos]? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro,seu terno de vidro,sua incoerência, seu ódio - e agora ?”
A viagem, para dentro dos Carlos, ou para dentro dos Josés que vivenciaram os sentimentos apontados por Carlos Drummond de Andrade é perigosa porque supõe o encontro de verdades, que a primeira vista não queremos enxergar: “Vou ficar frente a frente com aquilo que mais me dói no peito, a “Verdade dividida”. Quando a porta é arrebentada e se vê duas verdades – discute-se qual é a mais bela- é preciso optar por uma e cada um escolhe conforme seu capricho, sua miopia. Isto quando o Carlos encontra alguma porta. Esta escolha é a que o ser humano está condenado a ver e reconhecer em sua própria dor, a sua “pedra no meio do caminho”, no caminho do coração que conduz à vida. A pedra é o infortúnio, a casualidade, ou a própria pedra.
“Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. [ Carlos], e agora ?”Nas Minas imaginárias, o ser humano vai traçando os recomeços de sua trajetória. É preciso sempre “Recomeçar”, quando se tem uma chave na mão. Dar um novo sentido às alternativas encontradas diante das dificuldades é uma saída quando não se têm uma porta.Todo ser carrega dentro de si um pouco dessa linguagem drummondiana: a complacência pelo sofrimento do outro, a inquietação diante do desânimo, o amor desencontrado – representado pelo movimento da Quadrilha: João que amava Teresa, que amava fulano que não amava ninguém. São os movimentos constantes: “Não se mate” Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo”. O amor e suas estranhas razões! “As sem-razões do amor”.
“Se você gritasse,se você gemesse,se você tocasse a valsa vienense,se você dormisse,se você cansasse,se você morresse…Mas você não morre,você é duro,[Carlos]!” É a partir do grito que estudamos possibilidades de refazermos nossa vida, e “a vida é passada a limpo”. “Que é ser? Que metro serve para medir-nos?” Se a felicidade cansasse, se ela morresse, ela se tornaria o fim almejado pelos Carlos. Buscas intermináveis! Todo o tempo estamos tentando deixar algo, construir algo ou fazer algo... tudo isso, genuínas verdades drummondianas, para não ser duro e para aprender a morrer. Não dá para escapar! Estamos todos de “Mãos dadas”, querendo as mesmas coisas. “As coisas foram acontecendo ao sabor da inspiração e do acaso.” Pensar assim é descrever o movimento da vida, ela simplesmente continua; até que outro dia, nosso peito sangre de dor, de desespero de medo e de morte.
A poesia humaniza as pessoas, exercendo assim sua dimensão universal e seu destino. Ter a consciências das coisas e das pessoas implica perceber que o dia de amanhã poderá ser difícil de suportar: não há coisa mais terrível, difícil e dolorida do que perder alguém a quem amamos ou alguém que está fora de nosso alcance: o amigo que seria imprescindível naquele momento tão sofrido; a palavra que faz falta e a decisão que precisa ser tomada a sós. “Mas como dói”! E a consciência das coisas faz-nos perceber que é preciso viver a vida com dignidade e esperança, com alegria! A poesia tem essa capacidade de suavizar as dores do mundo, de ser consolo dos amores: “A gente julga o valor das coisas pelo gosto que tem”.
Descobrir a poesia de Drummond é, sendo uma formiguinha, perceber a vida com a dimensão de um elefante! Já repararam nos elefantes, aquelas orelhas enormes e aquele “sorriso” esquisito? Criaturas gigantescas, difícil de não serem percebidas, que andam em bandos e protegem a cria carinhosamente. Terrivelmente questionador e intrigante é colocar um elefante em um poema. “O elefante” que procura amigos, pessoas de verdade, que riem, para uma palavra amiga, mais que isso um olhar verdadeiro, sincero, que não se encontra em qualquer pessoa, porque elas não se mostram. Um elefante! Quando ele pensa que será notado, ele volta cansado da procura e triste porque ninguém o reparou – assim como os seres humanos que em certos momentos cansam-se da procura, e desacreditam do amor, dos amigos. Brilhante ideia a do elefante! Faz-nos pensar na grandiosidade da nossa procura. É assim mesmo, sem tirar nem por, a vida segue com seus caprichos. “Inútil você resistir ou mesmo suicidar-se.”
- “Vai, Carlos! ser gauche na vida”. Ser imperfeito, ser irreverente, questionador, revelador das angústias, ser o avesso, incomum. Nem todos viram um elefante desenhado no chapéu do Pequeno Príncipe, do francês Antoine de Saint-Exupéry, mas nem por isso o elefante não existia! E quem criou o elefante? A imaginação de um infante.
Era necessário que alguém reparasse nas “fragilidades” do ser humano e as testemunhasse. Se alguém não nos observa, impõe argumentos, revira nossos sentimentos e nos põe frente a frente com nós mesmos; iríamos caminhando na vida, como para uma direção qualquer – o lugar comum a todos seria suficiente! Estaríamos condenados a sermos repetitivos no tempo presente – repetição de ideias, sentimetos, gestos, atitudes. Não! Mil vezes a ironia, a briga com a consciência, o choro e depois “Recomeçar” de alma lavada. Alegremo-nos com nossas inquietações – elas fazem reparar o colorido da vida, faz-nos querer repor nossas ideias no lugar incomum, buscar nosso equilíbrio interior, encontrar paz.
Perguntamos se estamos falando sobre Drummond ou sobre nós mesmos, todos esses sentimentos revirados e misturados lembram nossas vidas? Mas o que Drummond faz é testemunhar a si próprio e, assim, a nós mesmos, porque compartilhamos das mesmas sensações – aquilo que nunca falaríamos pra ninguém, o que escondemos no lugar secreto de nosso eu, o que nunca repararíamos em nossa personalidade. Ele apenas testemunhou, expôs, reviveu, revirou; e, não precisamos gritar aos quatro cantos, nem sussurrar pra ninguém, a intenção é concordar com nossa cabeça, reconhecer-se nas entrelinhas e mudar a opinião, o destino, o desamor, ter novas perspectivas. Ter a chave mágica para abrir a porta e ver a verdade, não dividida, mas inteira, luminosa.
A poesia é nosso esconderijo! Precisamos reagir. Alguma coisa precisa acontecer; é para isto que as palavras se destinam: nossa salvação. Perceber a nós mesmos, com “olhos inteligentes”.
Toda a forma de comunicação, a arte, filosofia, poesia; nos convida a uma reação diante dos fatos e das coisas da vida. Só assim devemos entender que viver a vida é o mais importante. Que às vezes a vida pára mesmo, como um automóvel: “Stop! A vida parou ou foi o automóvel”? E é preciso recomeçar a viver, não ficar estático, pálido, triste ou ausente de si mesmo.
A poesia de Carlos Drummond de Andrade modificou nossa vida, fez-nos reconhecer o amor indesejado, obrigou-nos a fazer escolhas – são terrivelmente necessárias –, criou-nos uma consciência política do mundo. Então, como desvendar Drummond? Olhar para si mesmo. “Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, [Carlos] ![Carlos], pra onde?”Termos a consciência de que aquilo que mais nos dói é a nossa incapacidade de sermos humanos, a falta de sentimento, a pequenez diante da tolerância, do afeto, a falta de amor – amor pela vida e pelo sentimento humano; pelo sentimento do mundo: “Fácil é desfrutar a vida a cada dia. Difícil é dar o verdadeiro valor a ela”. A crítica se joga como um tapa na cara: “Ah, você participa com palavras?”! Mas são os Carlos que vivem “indiferentes, ruins, traiçoeiros, devassos, perigosos” ? “Você marcha, [Carlos] ![Carlos], pra onde?”
Este texto foi feito por mim, para um concurso da Fundação Assis Chateaubriand...
Eliane.
João Vítor e Celina Cecília
Meus amores, eu os adoooroooo de paixão. Minha vida hoje é mais iluminada...
...estou procurando
...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. Clarice Lispector
Todos de Clarice...
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. Clarice Lispector
Todos de Clarice...
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado...
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Eu não: quero é uma realidade inventada.
.. uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Eu não: quero é uma realidade inventada.
.. uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.
...o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.
Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Clarice Lispector
Todos
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
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